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Perguntas & Respostas sobre Silent Hill (Silent Hill Official Guidebook Complete Edition, 1999)

A Verdade Sobre Essa Cidade


Uma série de Perguntas & Respostas sobre os segredos da história

Mesmo depois de jogar muitas vezes, alguns mistérios desconcertantes permanecem nesse jogo. A verdade sobre o que aconteceu em Silent Hill além do que Harry faz está ao alcance.


P: Que tal um perfil da cidade de Silent Hill?

R: Em um primeiro momento, é uma cidade rural deserta, mas…

Silent Hill, o cenário para a história, é uma cidade rural localizada em algum lugar no nordeste da América. As suas principais indústrias são o turismo e, em menor escala, a agricultura. Ela é uma pequena cidade com uma população abaixo de 30.000 e sua indústria chave – o turismo – está em um estado de declínio constante.
Alguns dos residentes conservadores da cidade se opõem a modernização e a transformação da cidade em uma atração turística, e apesar de Silent Hill parecer em um primeiro momento com uma inofensiva cidade rural, isso trouxe a inesperada “escuridão” da distribuição de drogas aqui. Há um rumor que um culto religioso de uma escala considerável existe nos bastidores.
Ela também parece ser um lugar onde pessoas jovens são arrebatadas, trabalhadores do grupo de desenvolvimento da cidade morrem misteriosamente, e tradições sinistras continuam a ser transmitidas de muito tempo atrás.

P: O que aconteceu com a maioria das pessoas que viviam em Silent Hill?

R: Não se sabe! O que quer que você sinta ser assustador é a verdade.

A partir do momento que Harry acorda, a cidade já está deserta. O que acontece especificamente não é esclarecido até o final – a única coisa que é certa é que isso não é uma situação qualquer. Embora seja bem natural se preocupar com o bem-estar das pessoas que originalmente viveram em Silent Hill, uma pessoa deve ser capaz de surgir com algumas poucas explicações depois de completar o jogo: todos morreram, ou o que acontece no mundo do pesadelo não tinha efeito na realidade, ou foi tudo um sonho de Harry, etc. Dessas, a explicação mais provável é que os eventos aconteceram no mundo dos pesadelos de Alessa.

Silent Hill é uma cidade onde os pesadelos se tornam realidade, então eu quero que aqueles que tenham jogado o jogo assumam como verdade o que quer que cada um deles sinta que é mais assustador.

P:  Por que o contato entre a cidade e o mundo exterior está completamente cortado?

R: Não se sabe! A linha entre sonho e realidade é indistinta.

Todas as estradas que levam para a fora da cidade desabaram, como se tivesse acontecido um forte terremoto. Se uma pessoa não entende o que aconteceu nessa cidade, ela também não será capaz de alcançar a resposta para essa pergunta. Uma coisa que é certa é o fato que em Silent Hill, a fronteira entre realidade e ilusão é indistinta. Pode ser que a própria cidade tenha se movido para algum lugar que é como outra dimensão, ou pode ser que isso esteja acontecendo dentro do sonho de alguém. Será que o mundo real estaria esperando além das estradas desabadas?

P: De onde vem os monstros?

R: Eles nasceram das obsessões e compulsões de Alessa.

Misteriosos monstros vagam pela cidade deserta, as mesmas criaturas que aparecem nos pesadelos de Alessa. Ligados ao fenômeno nas memórias dela, eles são materializados pelo estresse, pressão, ou estado de ansiedade da mente, entre outros. Por exemplo, os monstros semelhantes a pterossauros encontrados por toda a cidade foram trazidos de uma ilustração em um dos livros favoritos de Alessa, O Mundo Perdido. A lagarta verde e a mariposa são monstros que vieram dos espécimes de insetos que decoram o quarto dela. Seu senso de coisas triviais que pareciam estranhas para ela quando era uma criança se tornou realidade, junto com os objetos de seus medos.

P: Por que a cidade subitamente fica escura?

R: Mesmo em um mundo de pesadelo, existe um ciclo.

Anoitece (?) em um número de ocasiões enquanto Harry se desloca pela cidade. Da mesma forma, existem também diversas ocasiões em que aspectos da cidade e de seus edifícios mudam completamente.
Por uma questão de conveniência, isso será referido como o “lado certo” e o “lado reverso” nesse livro. Essas mudanças ocorrem por que há um ciclo no mundo dos pesadelos de Alessa que envolve a cidade. Da mesma forma que uma pessoa normalmente repete o sono REM e o não-REM em ciclos regulares quando ele ou ela está dormindo, quando o mundo do pesadelo se aproxima de uma escuridão mais profunda (sono), um fenômeno ocorre no qual a luz é quase completamente extinta e o mundo se transforma em um pesadelo ainda mais profundo quando o ciclo muda de novo. Quanto ao “lado certo” e o “lado reverso”, em resumo, não é que um é a realidade e o outro é um sonho; o fato é que nenhum é a realidade. A propósito, a razão do “lado reverso” assumir um aspecto tão sinistro é que com seu corpo queimado, os pesadelos sem fim de Alessa foram alterados e amplificados pelos pensamentos do deus malevolente. Seu ódio e terror se tornaram a nutrição na qual a divindade malevolente prosperou.

P: Quais eram as intenções de Dahlia?

R: Realizar o há muito acalentado desejo do culto religioso ao qual ela pertence.

Dahlia Gillespie aparece durante e depois do estágio intermediário do jogo e sugere a Harry o seu curso de ação. No estágio final do jogo, nós descobrimos que ela é a responsável por todo o caso, e que o que ela estava fazendo era apoiado por um motivo muito grande. Apesar disso não ser mencionado no jogo, Dahlia assume o papel de uma médium espiritualista em um certo culto que foi estabelecido no submundo de Silent Hill. A única doutrina desse culto tem suas raízes em lendas sobre o deus da terra, e é separada de qualquer outra doutrina religiosa que existe na realidade. Simplificando, provocar o advento do deus malevolente e desencadear destruição ilimitada – esse é o há muito acalentado desejo da organização religiosa a qual Dahlia pertence, porque “todos os pecados serão lavados,” “todos serão libertados de todo o sofrimento,” e eles irão “retomar o verdadeiro paraíso.”
A técnica para impregnar o útero de uma mãe humana com o deus malevolente tinha sido executada muitas vezes com o objetivo de atingir esse fim, mas sempre falhou. Dentre os misteriosos desaparecimentos que aconteceram na cidade, há casos nos quais jovens garotas foram sequestradas pelo culto com a perspectiva de serem mães de aluguel (apesar da maioria deles serem simplesmente pessoas jovens que se cansaram do campo e foram para a cidade).

P: Qual foi a causa do incêndio que eclodiu sete anos atrás?

R: Um ritual que Dahlia realizou usando Alessa.

Dahlia pensou inicialmente que Alessa seguiria seus passos como uma médium espiritualista para o culto, mas percebeu que o ritual teria muito mais chances de ser bem sucedido se ela a usasse como mãe de aluguel para provocar a descida do deus do culto. E então sete anos atrás, Dahlia realizou a técnica para provocar a descida do deus do culto usando Alessa, no porão de sua própria casa. Apesar de parecer que o culto tinha um local que eles usavam para rituais, Dahlia estava confiante que ela seria capaz de invocar a divindade malevolente se Alessa fosse a mãe de aluguel; portanto, como não era necessário escolher um local, ela impulsivamente realizou o ritual em seu próprio porão. O processo do ritual envolvia muito fogo, o qual consequentemente se transformou em uma conflagração. Incidentalmente, existe a informação no jogo sobre “seis casas que queimaram completamente no distrito comercial,” mas o local exato do incêndio não pode ser localizado no mapa do distrito comercial. Parece que as casas foram completamente demolidas durante aqueles sete anos.

P: Alessa morreu no incêndio sete anos atrás?

R: Ela sobreviveu.

No jogo, é relatado que “foi encontrado o corpo carbonizado” de Alessa. Apesar dos registros mostrarem que ela morreu, ela foi secretamente levada para o Hospital Alchemilla e tratada por sete anos no porão do hospital. Kaufmann preparou um cadáver substituto; é possível que também tenha sido ele que realizou a “autópsia.” O método que Dahlia usou para provocar a descida do deus do culto tinha quase obtido sucesso com Alessa como a mãe de aluguel, mas Alessa rapidamente deixou parte de sua alma escapar e a técnica não foi completamente bem sucedida. Resumindo, mesmo com o embrião do deus malevolente dentro dela, o ritual estava em um estado suspenso. Alessa tinha sofrido queimaduras que cobriam seu corpo inteiro e que estavam muito além de um nível fatal, mas ela continuou a viver –  quer dizer, ela foi mantida viva – por causa da divindade malevolente que protegia o corpo de sua mãe. Além disso, Dahlia continuamente infligiu dor em Alessa nesse estado por sete anos usando um encantamento que compelia a parte que faltava de sua alma a responder para ela. Essa parte de sua alma era Cheryl. Se a alma pudesse ser unificada, o ritual seria completado e a divindade malevolente despertaria, então Dahlia fazia com que Alessa sofresse, compelindo-a a procurar a ajuda de Cheryl. A propósito, cadáveres (?) que parecem estar cobertos por robes da cabeça aos pés eram vistos em lugares que levavam para o “outro” mundo. Essas figuras estavam usando o robe cerimonial do culto. Talvez eles fossem manifestados pelo ressentimento de Alessa para com o culto?

P: Cheryl sabia que ela era a “outra metade” de Alessa?

R: Ela estava completamente inconsciente disso.

Apesar de Cheryl ser a “outra metade” de Alessa, ela não tinha consciência disso. Quando ela disse a Harry que queria ir para Silent Hill, foi porque a sensação do sofrimento de Alessa — “Alguém me ajude” — tinha alcançado ela. Por sete anos, Alessa suportou seu sofrimento porque ela não queria destruir qualquer que fosse a pouca felicidade que sua outra metade era capaz de aproveitar, mas aos poucos, o encantamento de Dahlia obteve sucesso e se tornou mais do que Alessa podia aguentar. E assim, baseada na percepção que “é como se alguém (eu mesma?) estivesse me chamando…”, Cheryl veio para Silent Hill com Harry.

P: Quando Cheryl e Alessa se uniram?

R: Durante os estágios iniciais da história.

Apesar do momento exato não ser especificado, não há erro em dizer que foi durante os estágios iniciais da história. O desaparecimento de Cheryl no beco durante a abertura aconteceu porque o pesadelo de Alessa tinha invadido o sonho de Harry; esse acontecimento não é especificamente relacionado a fusão de Cheryl com Alessa. Além disso, o jogo mostra tanto uma forma crescida de Alessa quando uma forma de criança. Uma delas é sua aparência com a idade atual, enquanto a outra é um “fantasma” de sete anos atrás. Ao se fundir com Cheryl, Alessa (em sua idade atual) renasceu de suas graves queimaduras, quebrou o encanto que Dahlia e os sacerdotes tinham usado para prendê-la, e agiu. Depois da união, Alessa adquiriu poderes psíquicos tais como teleporte – poderes que ela sempre possuiu. Se ela estivesse vivendo sob circunstâncias normais, esses poderes não iriam quase nunca se manifestar. Alessa possuía naturalmente uma certa quantidade de intuição espiritual e naquele ponto no tempo seu “sexto sentido” era poderoso o bastante para que ela tivesse premonições, mas elas eram mais como palpites do que como poderes sobrenaturais. Sua mãe Dahlia pode ter realizado mágica e coisas do tipo, mas isso não significa que ela tinha poderes especiais.
Seria possível que ter a divindade malevolente habitando seu corpo e unir-se com Cheryl foi o que levou Alessa a adquirir poderes sobrenaturais?

P: O que é a Marca de Samael?

R: A verdade é que não existe um significado profundo.

Dahlia usou a frase “a Marca de Samael” enquanto falava com Harry. Isso é um sofismo para fazer com que Harry se preocupasse que coisas terríveis estavam acontecendo e que elas deviam ser paradas a qualquer custo; é uma tolice que cai na categoria de jogo de palavras. Dahlia pensou que podia usar Harry para pegar Alessa, então ela usou termos incompreensíveis com falsa sinceridade.

P: O que é o Selo de Metatron?

R: É como um encanto de aniquilação.

O que Alessa estava realmente criando era o Selo de Metatron. É um nome derivado do nome de um anjo da libertação no sistema cabalístico. Presa pelo encanto do culto e vivendo um pesadelo sem fim em agonia, o desejo de Alessa era por uma morte completa. Como ela era incapaz de morrer de uma forma normal enquanto sob influência do poder da divindade malevolente, Alessa planejava “aniquilar’ a si mesma com o poder do Selo de Metatron com o mundo do pesadelo ao alcance.
No momento em que Cheryl e Alessa se uniram, ela ganhou o poder para escapar do encanto do culto; ao mesmo tempo, a técnica que provocou a descida do deus do culto obteve sucesso e a divindade malevolente continuou seu processo de amadurecimento. Dessa vez, Alessa estava ocupada em uma luta, uma corrida entre o amadurecimento do deus malevolente e a conclusão do selo. Se o selo fosse completado, Harry, Cybil, Dahlia e os outros seriam todos aniquilados junto com Alessa. Porém como é questionável se o Selo de Metatron realmente tinha esse tipo de poder, também há a possibilidade que Alessa, usando o conhecimento que ela adquiriu quando ela era muito jovem, tenha se libertado dos efeitos do poder do deus malevolente através de auto-sugestão e estivesse tentando causar sua própria morte. Como Dahlia estava ao menos ciente do fato de que Alessa tinha a vontade para acabar com sua própria vida, ela se preparou para o pior cenário e tomou medidas para impedir que isso acontecesse. Ela usou Harry justamente para esse propósito.

Alessa estava criando o Selo de Metatron na escola, hospital, loja de antiguidades, farol e parque de diversões. Desenhe linhas conectando esses selos e seus locais criam uma enorme Marca de Samael pela cidade. O selo pode ter sido criado em outros lugares também.

P: Quem construiu a “outra igreja” e para qual propósito?

R: Dahlia a construiu baseada na doutrina do culto.

A “outra igreja” é a reprodução de uma que foi originalmente o lar de Dahlia, onde ela a usava para adoração diária. Em resumo, Harry foi atraído para ela porque a loja de antiguidades é um lugar que estava originalmente perto do “lado reverso”. O motivo dela aparecer no estágio final do jogo é que Alessa reteve a memória de ter sido feita para adorar no altar em sua casa quando era uma jovem garota.

P: Que tipo de parceria Dahlia e Kaufmann tem?

R: Uma centrada em torno de drogas e magia.

Dahlia e Kaufmann foram unidos pelo comércio da White Claudia, usada para fazer a droga PTV. No jogo, o pó branco no cofre do armazém é PTV. O culto usava a White Claudia, a matéria-prima para a droga, durante seus rituais desde tempos antigos. Resumindo, apesar do falto do culto religioso ao qual Dahlia pertence ser uma sociedade secreta, eles vieram a possuir uma espécie de estrutura e capacidade organizacional que permitia a eles produzirem narcóticos fora do alcance da vigilância da polícia. A White Claudia, que é refinada e transformada na droga extremamente poderosa PTV, é transferida para fora do culto e vendida principalmente para turistas por Kaufmann. Em troca, Kaufmann executa acordos médicos ilegais, como relatórios de autópsia falsos e desvio de medicamentos para canais ilegais. E então, desde o incêndio sete anos atrás, a magia pelo poder do deus malevolente e a questão do tratamento da queimada Alessa se tornaram pontos de barganha. O desejo de Kaufmann, o âmbito que ilustra seus próprios interesses mundanos, era o lucro gerado pela droga.
Kaufmann é um realista por natureza que não acredita em coisas como encantos e magia negra, mas ele aceitou a responsabilidade de cuidar de Alessa para que a troca da White Claudia continuasse a acontecer em seu favor. Porém, tendo testemunhado em primeira mão as mortes do prefeito e do policial da narcóticos, ambos mortos por meio de magia extraída do poder do embrião do deus malevolente, parece que ele decidiu que se a magia era algo que ele pudesse usar, ele tomaria vantagem disso. Incidentalmente, as “mortes misteriosas do grupo de desenvolvimento” que Lisa menciona durante sua conversa com Harry é um tipo de lenda urbana, então se esse tipo de coisa realmente aconteceu é incerto.

P: Quem era o cara que dirigia o armazém, Norman Young?

R: Um ex-colega de Kaufmann.

Norman Young já esteve envolvido uma vez com o tráfico de drogas junto com Kaufmann, mas lavou suas mãos disso completamente porque o risco era muito grande. Ele não tinha relação alguma com o culto, e parece que ele tinha ouvido rumores que Kaufmann tinha recentemente feito coisas que eram inquietantes.
De detalhes como o fato que ele pediu para transportar comida para o motel, pode-se supor que ele possa ter sido uma espécie de capanga para Kaufmann. De qualquer forma, Norman Young não é alguém que é particularmente relevante para os eventos de Silent Hill.

P: O que o Flauros pode fazer?

R: Ele tem enormes efeitos mágicos.

É dito que poderosas habilidades mágicas estão dormentes no interior do Flauros, o qual foi escavado de ruínas antigas. Dahlia preparou o Flauros em segredo como um trunfo que era só dela. Não é esclarecido se ela viu a situação atual no horizonte…

Quanto a etimologia de Flauros, ele é um dos 72 espíritos de Salomão e o nome de alguém que possuiu as faculdades de um “antagonista”.

P: O que é aglaophotis?

R: O último recurso contra um deus malevolente!?

O culto religioso ao qual Dahlia pertence, como previamente mencionado, possui uma estrutura original que é totalmente separada de qualquer doutrina religiosa que existe na realidade, apesar de em alguns casos seus conceitos e termos sido apropriados de outra terminologia religiosa por uma questão de conveniência. Isso é por causa de seu aspecto de “nova religião”, que surgiu quando a doutrina do culto foi sistematizada através do processo de pesquisa de teologia e demonologia. Aglaophotis é um termo da Cabala que significa algo como “amuleto.” Dahlia e os outros estavam usando-o para significar algo que impedia a divindade malevolente (que eles chamam Deus). Isso porque eles consideram que as raízes dos demônios, como eles são chamados nas religiões convencionais, não estão tão distantes daquelas do deus da terra no qual eles acreditam.

Kaufmann, que estava ciente da existência de rumores no culto, secretamente obteve aglaophotis e então o dividiu e escondeu como um último recurso, apenas por precaução (tendo calculado que alguém poderia ter descoberto que ele estava fazendo isso). Exatamente como ele esperava, o aglaophotis que estava no hospital foi atirado no chão e destruído completamente, mas no final do jogo Kaufmann usa o outro aglaophotis que ele tinha escondido na motocicleta (apesar de ele parecer não ter nenhum efeito. Aglaophotis é extremamente raro, e Kaufmann deve ter feito um esforço extraordinário para obtê-lo. Esses fatos indicam que apesar de sua relação de cooperação, Kaufmann desconfiava de Dahlia e dos outros.


Notas da Tradução

A resposta para a questão sobre de onde os monstros vem parece se ligar intimamente com o memo “manifestações de alucinações” encontrado no jogo, o qual afirma que “emoções negativas como medo, preocupação e estresse [podem] se manifestar em energia externa com efeitos físicos,” e “pesadelos tem sido mostrados como o gatilho.” A palavra “fuan,” que significa ansiedade, ou “preocupação” aparece nesse parágrafo do livro assim como no memo.

A palavra “jashin” (deus (mau) malevolente) primeiro aparece nas Perguntas & Respostas em “por que a cidade fica escura subitamente”, e é usada frequentemente nas páginas seguintes. Tanto o tradutor do Silent Hill original quanto Jeremy Blaustein, que traduziu Silent Hill 2, 3 e 4 decidiram adotar a capitalização de “Deus” que é tipicamente reservada para o deus em que os cristãos acreditam, e Ushinawareta Kioku, que eu acho que requere que olhemos para essa entidade através dos olhos do culto, também usa a palavra “kami” (Deus) ao invés de “jashin”. Eu inicialmente queria continuar traduzindo “koushinjutsu” (onde shin = Deus) como em “a técnica para provocar a descida de Deus,” mas é difícil conciliar com o fato que deus é caracterizado como mau ou malevolente aqui então eu decidi simplesmente mudar “Deus” para “o deus do culto.”

Aqueles que jogaram a versão em inglês de Silent Hill provavelmente não se lembram de um memo mencionando que “seis casas queimaram completamente no distrito comercial” – o tradutor decidiu omitir os detalhes sobre onde o incêndio ocorreu e colocou simplesmente “incêndio acontece na cidade, seis casas destruídas.”

Respondendo a questão “o que é a Marca de Samael?” com “não existe um significado profundo” não parece fazer muito sentido gramaticalmente (N. T. – em inglês), mas eu não queria dizer “não existe significado,” já que isso poderia ser entendido como se a Marca fosse algo que existisse em si (o que é claro não é verdade – ela é na verdade o Selo de Metatron). Me parece que a implicação é “a verdade é que não existe um significado profundo (para o nome dado para a Marca).”

Quanto ao que “kaihou no tenshi” (anjo da libertação) no parágrafo sobre o Selo de Metatron implica, parece que isso tem a ver com o fato que é dito que Metatron tinha habilidades como um mago e era capaz de fazer coisas como quebrar magias. Em uma lenda, Metatron foi o único anjo poderoso o bastante para quebrar encantos que foram feitos por dois sacerdotes malignos que usaram sua mágica para subir ao céu. De acordo com meu revisor, isso é referido como “kaihou” no Japão.

Dependendo da tradução a palavra “motomoto” (que pode significar “originalmente,” “por natureza,” ou “do início”), a segunda sentença do parágrafo sobre a “outra igreja” poderia também ser lida, “… a loja de antiguidades está em um lugar que é próximo ao ‘lado reverso’ (outro mundo) por natureza” ou “… a loja de antiguidades é um local que sempre esteve próximo do ‘lado reverso.'”

A palavra japonesa usada para explicar aglaophotis é “mayoke,” a qual pode se referir a um talismã, encanto, ou amuleto. “Ma” significa “demônio” ou “espírito maligno” e “yoke” significa “abrigo contra” ou “proteção contra,” etão a palavra implica “defesa contra espíritos malignos”.

Vale a pena mencionar que outra das discrepâncias entre as versões do script japonesa e inglesa envolve a observação de Dahlia sobre o “Talismã de Metatron.” Essa linha foi traduzida como “o Talismã de Metatron estava sendo usado,” enquanto dizia “o Selo de Metatron estava sendo criado” no script original. “Inshou,” que significa “carimbo” ou “selo” é a mesma palavra usada em ambas as frases, “Talismã de Metatron” e a frase “Marca de Samael” – uma é “Metatron no inshou,” e a outra é “Samael no inshou.”


Do livro: Silent Hill Official Guidebook Complete Edition (Silent Hill Koshiki Guidebook Kanzenban em japonês), lançado em 1999
Tradução Japonês/Inglês: wallofdeath
Fonte: Silent Hill Chronicle

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