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Falando sobre Beyond: Two Souls

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A trágica história de Jodie Holmes

Beyond: Two Souls apresenta a história de Jodie Holmes (interpretada por Ellen Page), que está ligada a uma entidade de outro mundo desde que nasceu. Ela chama essa entidade de Aiden.
Por causa dessa ligação, a vida de Jodie não é muito fácil. Maltratada por crianças, adolescentes e agentes do governo dos EUA, nós vemos Jodie crescendo, de criança a mulher, e tudo pelo que ela passou durante 15 anos de sua vida (dos 8 aos 23 anos).
Salvo algumas inconsistências causadas pela história – falo delas mais para frente – considero Jodie uma personagem bastante interessante, e fui capaz de simpatizar com o sofrimento, as escolhas e as ações dela, de modo geral.
Algo que provavelmente – ah, quem estou querendo enganar? Com toda a certeza! – me fez gostar ainda mais da personagem foi o fato dela ser interpretada por Ellen Page, atriz da qual sou muito fã.
Beyond: Two Souls é um jogo exclusivo para o PS3.

Aiden, o protagonista de outro mundo

Surpreendentemente, Aiden se mostrou um personagem muito interessante. Antes de jogar, eu pensava que ele seria simplesmente uma outra mecânica de jogo, como uma ferramenta que você usa para executar determinado trabalho. Ele também é uma ferramenta, mas o caso é que ele não é apenas isso. Aiden tem uma personalidade, objetivos e desejos próprios, e ele expressa tais coisas de uma forma que tanto Jodie quanto nós, os jogadores, podemos entender – muitas vezes, chegando até a escrever frases em algumas superfícies propícias.
Aiden é realmente um personagem, como Jodie. Me lembro que em determinados momentos do jogo, me vi pressionando o botão triângulo para ver se conseguia controlar Aiden e ajudar Jodie em algo, sem sucesso. Considero a relação que é construída entre Jodie e Aiden realmente sensacional.

Outros personagens

De forma geral, gostei de todos os personagens do jogo. Odiei alguns, mas considerando as ações deles para com Jodie, acho que a intenção era justamente esse; então, não os odeio por serem mal construídos, mas simplesmente pelo que fazem no jogo com Jodie. Mataria alguns se o jogo permitisse, e cheguei realmente perto de matar um, especificamente. Infelizmente, a história não permitiu.
os três que mais aparecem, Cole, Ryan e Nathan são dignos de menção, é claro. A atuação de Willem Dafoe como Nathan foi realmente espetacular, e digna do nome dele na capa do jogo, ao lado do nome de Ellen Page.

Romance em Beyond

Apesar da vida sofrida e do Aiden, Jodie ainda consegue encontrar o amor. O jogo oferece mais de uma opção romântica para a personagem, o que causa leves alterações em momentos bem específicos da história. Devo dizer que eu não concordo com um dos romances especificamente, por causa de razões, mas não vou falar sobre isso aqui. Talvez seja algo que outras pessoas nem irão considerar ao jogarem.

Sobre a jogabilidade e os gráficos

Beyond é definitivamente um grande passo adiante dentro do estilo de jogo cinematográfico da Quantic Dreams. Ao invés de ter que segurar o R2 para que o personagem ande como em Heavy Rain, Jodie é controlada simplesmente com o analógico esquerdo. Opções de interação são acionadas com o direito, ou pressionando determinados botões conforme são mostrados na tela. O botão triângulo faz a troca entre Jodie e Aiden, quando essa troca está disponível.
Os gráficos do jogo são belíssimos. Em alguns momentos, não pude perceber quando já podia controlar Jodie novamente depois de uma apresentação já que, literalmente, não há diferença entre apresentações e gameplay. Com Beyond, a Quantic Dreams realmente provou o poder gráfico do PS3, mesmo as vésperas do lançamento de seu sucessor.

Você não vai morrer! Mesmo que queira

Não há game over em Beyond. Ponto final. Em uma das vezes que joguei, tentei matar Jodie de todas as formas possíveis: pulando do alto de uma ponte, deixando ela ser surrada por policiais, rebeldes, vândalos, deixando ela ser queimada, pega por agentes da CIA, da SWAT, deixei ela ser baleada, esfaqueada, enfim, tudo o que normalmente mataria um ser humano normal. Mas não Jodie.
Deixou Jodie levar muitos tiros? Aiden está ali para curá-la – na verdade, ele é obrigado. Ou Aiden cura Jodie ou o jogo fica parado na cena em que ele tem a opção, digo, obrigação de curá-la. Levou uma surra? Jodie apresenta alguns hematomas. Facadas? Um pequeno corte no rosto.
Agora, o que achei mais absurdo foi um determinado momento, quando Jodie enfrenta rebeldes. Citando um momento como exemplo, deixei que um rebelde a visse, porém, ao invés de atirar em Jodie até matá-la, ele se proximou e tentou bater nela com o cabo da arma (??). Eu permiti que o golpe atingisse Jodie, e quando finalmente ela estava caída, indefesa, e finalmente prestes a ser fuzilada, o controle troca automaticamente para Aiden e, ou você mata o atacante ou o Aiden mata ele automaticamente para você. Pois é.

Beyond está contando uma história. Quer você queira, ou não

Uma das coisas que me incomodou em Beyond foi a linearidade do jogo. Com exceção de pouquíssimos momentos em trechos chave do jogo, as escolhas não tem efeito algum. Vou citar alguns exemplos.
O primeiro é logo no começo do jogo. Assumi o controle de Jodie durante o primeiro experimento do qual ela participou. Nesse experimento, é possível controlar Aiden, e:
a) fazer apenas o que é pedido;
b) arrebentar com tudo.
Na primeira vez que joguei, resolvi fazer tudo o que era pedido. No encerramento, ao invés de destruir tudo que tinha pela minha frente e aterrorizar a outra participante do experimento, eu simplesmente voltei a controlar Jodie, quando lhe foi pedido que parasse Aiden. Aí é que está: acontece a mesma coisa. A mulher que participava do experimento fica completamente aterrorizada – mesmo eu não fazendo nada – e Jodie chora. A única – e na minha opinião, insuficiente – diferença é a presença ou não de sangue escorrendo pelo nariz de Jodie no final do experimento.
Mais um exemplo de falta de escolha é quando Jodie diz “não”. Em um momento, durante uma festa, um garoto pede para dançar com Jodie, e eu escolho não. Em seguida, o garoto insiste e Jodie vai e… Aceita. WTF, man. Nessas horas sinto falta de Mass Effect
O que tirei disso é que na maior parte das vezes não importa o que eu escolha, um determinado momento da história VAI acontecer. E não gostei disso.

Extra: A grande busca pela versão em português do Brasil

Como queria jogar Beyond pelo menos um pouco próximo da data do lançamento do jogo, resolvi comprá-lo durante a pré-venda. Não foi a primeira vez que fiz uma compra assim, e, até o momento em que eu recebi o jogo, parecia tudo ótimo. Porém, havia uma surpresa: atrás do jogo, estava escrito “Manual em Português e jogo em Inglês”. Estranhei, coloquei o jogo no PS3, aguardei a instalação, e quando fui jogar percebi que só haviam duas opções, tanto de áudio quanto de legenda e menu: inglês e francês.
Eu me lembrava de ter assistido um gameplay da demo no Youtube, e ele estava dublado e legendado (com uma dublagem muito boa, aliás) e simplesmente esperava que a versão final também tivesse tal opção. E realmente, deveria ter, como um comunicado que li posteriormente no blog da Sony afirmava. Até aí, esperava que tudo seria resolvido com uma simples atualização gratuita com nosso idioma. Mas a Sony Brasil tinha outros planos.
No dia 18 de Outubro, a Sony Brasil finalmente informou o que deveriam fazer aqueles que desejavam trocar suas cópias por versões em português do Brasil: ou trocar ele na loja, ou em postos de troca oficiais em lojas da Sony. Como comprei online, a ideia era não ter que me deslocar até a loja, e a perspectiva de enviar, aguardar postagem etc (isto é, se a loja que comprei trocasse – os relatos que li de pessoas que tentaram trocar nas lojas em que compraram não eram favoráveis) não me atraíam nem um pouco. Sobrava a opção de trocar em uma loja da Sony, o que, por sorte, meu irmão pode fazer por mim, já que trabalha perto do shopping onde tinha uma das tais lojas.
Parece atré muito trabalho para alguém que consegue entender inglês, mas a dublagem de Beyond é realmente excelente, e se havia a possibilidade de trocar o jogo, why not? Além disso, há outras pessoas em casa que jogam e não entendem tão bem inglês, então a dublagem facilita para eles.
Só espero que a Sony Brasil não esqueça desse incidente e tome mais cuidado daqui por diante com quais cópias são prensadas e enviadas para as lojas.

O veredito

Não, não vou dar uma nota para Beyond. Não vejo muita utilidade em notas, considerando que quase sempre discordam delas. De qualquer modo, isso não é uma review mesmo, ou ao menos não considero uma. Esse post contém apenas opiniões minhas sobre o jogo.
Dito isso, gostei muito de Beyond, tanto ou mais quanto de Heavy Rain. Beyond proporciona uma experiência de jogo que não pude obter com nenhum outro, e acho uma excelente experiência, apesar das falhas que mencionei acima. Tanto é que já o joguei três vezes (duas em inglês, e uma em português).
Procurei não falar muito da história – na verdade, só o necessário para explicar determinados pontos – para não dar spoilers.
No final, posso dizer que Beyond: Two Souls é um jogo que recomendo. E se você jogou e gostou de Heavy Rain, recomendo mais ainda!

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