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Prólogo: Batismo na Europa

– 1 –

Um carro sujo avançava em uma estrada na montanha.  O inverno ainda era um aviso distante, mas as árvores em ambos os lados da estrada estavam nuas, cercadas por tapetes de folhas mortas.

A queixosa melodia flamenca se espalhando pelo carro parecia combinar com o cenário triste. Leon S. Kennedy estava sentado no banco traseiro, contemplando a vista.

“Ei, quem é você mesmo?”

O policial mais velho no banco do passageiro se dirigiu a Leon. O policial mais novo no volante olhou para ele quando ele falou. Eles tinham sido designados para levar Leon a seu destino, uma certa vila afastada na zona rural.

“Acho que essa é a forma local de quebrar o gelo. De qualquer forma, vocês sabem o motivo de tudo isso. Minha missão é procurar pela filha desaparecida do Presidente.”

“Como, sozinho?”

“Eu tenho certeza que vocês não vieram só para que pudéssemos cantar “kum-ba-yah” juntos ao redor de uma fogueira como escoteiros, garotos. Mas então, talvez tenham vindo só para isso.”

O policial mais velho riu, mas não o pressionou mais.

“É uma ordem direta do próprio chefe. Vou dizer para vocês, não é nenhum piquenique.”

“Eu estou contando com vocês.”

O policial mais velho apenas sorriu e encolheu os ombros.

O carro passou por uma ponte suspensa de madeira, e então parou. O policial no volante apontou para um pequeno caminho através da floresta. Podia-se ver casas de fazenda logo depois das árvores.

“A vila é logo em frente.”

Leon tinha acabado de descer do carro sozinho quando ele recebeu uma transmissão de rádio de seu apoio no quartel-general.

“Eu sou Ingrid Hunnigan. Eu serei o seu suporte nessa missão.”

“Então o nome do indivíduo é Ashley Graham, certo?”

“Exatamente. Ela é a filha do Presidente.”

Vários dias antes, um grupo misterioso sequestrou Ashley de sua faculdade em Massachusettes. Leon tinha acabado de ser designado como guarda-costas de Ashley, então o Presidente confiou à ele a missão de resgatá-la. Sua única pista era o relato de uma testemunha de uma gangue vestida de preto, escoltando uma garota que se encaixava na descrição dela para o interior da  vila a frente.

“Eu vou tentar obter mais informações sobre eles aqui também.”

Leon encerrou a transmissão. Ele decidiu começar com a primeira casa que ele encontrou.

A casa parecia em ruínas, como se não tivesse sido habitada por anos. Uma homem que poderia ter sido seu proprietário estava alimentando uma fogueira na lareira. Leon o chamou, mas o homem não se virou. Leon se aproximou dele, e mostrou uma foto de Ashley Graham.

“Eu estava imaginando se você poderia reconhecer a garota nessa fotografia?”

O homem tirou os olhos da lareira. Ele deu uma olhada na foto, e então começou a gritar nervosamente com Leon. Leon não conseguia entender o que ele estava dizendo, mas era óbvio que o homem queria que ele saísse.

“Desculpe ter aborrecido você.”

Quando ele se virou para ir, um tremor atravessou a sala. Leon sentiu alguém atrás dele – alguém com sede de sangue.

Ele se abaixou, e então rolou para frente. O homem balançou seu machado na direção dele, encurvando suas costas e rasgando o ar com força. Leon se virou e sacou sua 9mm automática. Ele deu ao homem um aviso.

“Parado!”

Os estranhos incidentes com os quais ele lidou todos esses anos inundaram sua mente. Ele já tinha sido atacado por cidadãos comuns antes, mas aqueles eram cadáveres ambulantes infectados com o T-Vírus. Os olhos desse homem tinham uma cor vermelha anormal, mas ele não parecia com nenhum zumbi que Leon já tinha visto.

“Eu disse parado!”

O homem apenas gritou e levantou seu machado.

Leon apertou o gatilho. A bala atravessou o homem, derrubando-o no chão em uma pilha imóvel. Leon ouviu um motor sendo ligado do lado de fora, seguido do que soou como os oficiais gritando, e uma violenta batida. Aquilo não podia ser bom. Ele foi para fora e viu que a ponte tinha caído, com uma onda de fumaça subindo do abismo. Leon olhou para baixo da beirada e viu um caminhão e o carro de polícia em ruínas no fundo. Não havia sinal dos oficiais.

Esse foi apenas o primeiro vislumbre de Leon da loucura em que ele estava prestes a entrar…

– 2 –

A praça da vila estava alinhada com edifícios de pedra. Mulheres carregavam água, enquanto os homens empilhavam uma montanha de palha, a qual eles tinha cortado à mão com suas foices. Galinhas e pecuária também podiam ser vistos.

No centro da praça havia uma estaca de aproximadamente 3 metros de altura. O policial mais velho estava amarrado à ela, pendurado de forma frouxa, enquanto chamas estalavam na montanha de palha a seus pés.

Leon assistiu a cena através de seus binóculos, então começou a se mover na direção da vila de novo. Em uma casa ele encontrou uma montanha de ossos branqueados – de visitantes queimados na estaca, e aldeões que tinham ido contra a corrente. Se essa vila realmente tivesse algo a ver com o desaparecimento de Ashley… então Leon não tinha um momento a perder.

Enquanto Leon se movia silenciosamente pela vila, ele subitamente encontrou um aldeão, que apontou para Leon e gritou um alarme. Aldeões começaram a correr para ele de todas as direções. Eles não o atacaram individualmente, mas cooperaram em pequenos grupos, como se a própria multidão fosse toda parte de um único predador.

“Quem são essas pessoas?”

Leon correu para a segurança de uma casa próxima.

Os aldeões continuaram a bater na porta. Alguém iniciou um motor do lado de fora, e Leon olhou para fora e viu um aldeão carregando uma motosserra. Outros aldeões estavam levantando escadas para chegar às janelas do segundo andar.  Como se eles já não fossem estranhos o suficiente, sua habilidade de aplicar lógica as situações para resolver problemas era verdadeiramente aterrorizadora. Ele estava cercado como um rato.

Leon disparou tiro atrás de tiro, mas para cada aldeão que caía, uma nova onda deles vinham ocupar seu lugar. A situação estava ficando pior a cada minuto. Ele tinha que encontrar uma forma de escapar…

Ele ouviu um som… o sino da igreja estava tocando. Leon assistiu sem incredulamente quando os aldeões pararam, se viraram, e murmuraram para si mesmos enquanto eles se dirigiam à um edifício ainda mais no interior da vila.

Leon ficou sozinho na praça da vila. Ao lado dele, os restos carbonizados do oficial de polícia tremularam com a chama morta.

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2 Respostas

  1. Maravilha de tradução.

    7 de janeiro de 2012 às 7:13 pm

  2. Davi

    =)

    7 de janeiro de 2012 às 7:22 pm

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